10.12.09

famosos #02


Priscilla, a rainha do deserto é a história de duas dragqueens e um transsexual que atravessam o deserto australiano nesse ônibus lindo, que ganha o apelido carinhoso de Priscilla. Um ótimo road-movie, que acerta em cheio ao não estereotipar os personagens. Comédia maravilhosa, consagrou Priscilla como um dos ônibus mais famosos do cinema.

foto: IMDb

roteiro cultural 351

O 351 é um ônibus, hum...irregular. Como ele passa por lugares muito diferentes da cidade, ele não tem personalidade muito forte e nem uma frequencia de opção culturais muito boa. Dependendo de onde ele está, tá de um jeito ou de outro.

Quando ele sai do ponto final, em Vaz Lobo, não tem absolutamente nada a se fazer. É um bom momento pra dar uma cochilada pra ignorar o tédio. Em Irajá, num fim-de-semana, quem sabe, tenha algum show meia-boca que algum vereador meia-boca organizou numa praça. Mas também não é lá muito thrilling.

Quando passa por Vista Alegre, uma boa opção é descer, dar uma caminhada de uns 15 minutos até a Lona Cultural João Bosco. Tem shows, teatro e várias oficinas. Tudo bem mais barato que no eixo Centro-Zona Sul. É uma opção bem bacana, recomendo!

Quando o ônibus pega a av. Brasil, bom, aí ele começa a correr freneticamente na via expressa e não há nem o que pensar. Se quiser descer, não pode, então nem adianta ficar pensando muito no que tem de bom pra fazer. A paisagem também não é muito bacana, então a boa é ouvir uma música que dê o clima.

A gente continua nesse marasmo quando ele passa pela rodoviária, mas seguindo mais um pouco, dá pra - de novo - descer e dar uma caminhada e chegar no Centro Cultural da Ação da Cidadania. Lá, tem um pólo de cinema e vídeo, um espaço gastronômico e um teatro. A comidinha não é lá essas coisas, mas o cinema e o teatro têm programações bacanas, variadas e - de novo (de novo!) - baratinhas. A promessa é que, em breve, toda a região vá ficar ainda mais interessante, culturalmente.

É aí que começa a parte boa: av. Rio Branco. Tem vários prédios na avenida que valem à pena só pela arquitetura. Já no número 24, tem o Centro Cultural de Justiça. Tem muuuitas opções, a programação muda bastante ao longo do ano, vale a pena ficar atento. Algumas livrarias bacanas pelo caminho, como a Martins Fontes e a Leonardo da Vinci.

Hoje tá um pouco abandonado, mas onde às vezes tinham coisas bacanas era no Teatro Glauce Rocha. Chegando na Cinelândia, é quando começam aquelas opções mais..."convencionais". O Museu Nacional de Belas Artes tá com uma exposição ótima do Chagall, além da permanente de lá que é bacana. O Theatro Municipal tá terminando de ser reformado, todo dourado, mas ainda não tem programação pro ano que vem. A Biblioteca Nacional tem palestras, simpósios e seminários super interessantes. É bom ficar ligado no site pra ver, porque é difícil acompanhar.

Na própria praça, em alguns dias da semana, tem uma feira enorme de livros. Muitas opções de livros usados, com vendedores suscetíveis à barganha. Sai tudo bem em conta. E, pra terminar, tem o histórico Cine Odeon que, pra além da faixada gracinha, passa filmes ótimos, muitos nacionais. Em tempos de Festival do Rio, aquilo ali ferve! E nas primeiras sextas-feiras do mês tem a Maratona Odeon. Três filmes passam a partir da meia noite, madrugada afora. No último, todo mundo tá dormindo, mas é um programa bacana para uma noite mais diferente.

Enfim, o 351, além de uma opção rápida pra chegar ao Centro, faz um caminho cultural que passa pelo mainstream e pelo alternativo. É bom pra todo mundo!

Trilha Sonora: Metrônibus Barra-Siqueira Campos

É engraçado como os eficientes ônibus do metrô do Rio (que nunca chegará na Barra, nem em 2016 nem NUNCA), assim como nas estações do metrô em si (e não nos pontos de ônibus que eles chamam de estação numa cara de pau incrível), a música clássica predomina na rádio que faz a trilha sonora das viagens. Isso pode ter um teor meio educativo, do tipo "vamos fazer com que as pessoas tenham pelo menos um contato, mesmo que seja superficial, com a erudição de Mozart, Beethoven e outros gênios da música". Obviamente, todos acham isso normal e ninguém questiona a trilha sonora dessas viagens. Porém seria interessante variar um pouco, e sair da mesmice diária, que transforma verdadeiras obras de arte em música de fundo, como aconteceu com "Garota de Ipanema" nos elevadores do mundo inteiro.



Abaixo, uma lista das recomendações para uma trilha sonora mais diversificada, que poderia tocar no trajeto do ônibus do metrô entre Barra e Siqueira Campos uma vez ou outra.

1 > New Slang - The Shins, essa música tranforma qualquer viagem saculejante em um passeio agradável de fim de semana. E tem o poder de te fazer esquecer o trânsito ridículo para sair da Barra.

2 > Panis et Circenses - Os Mutantes, para começar o dia alegre, olhando do viaduto do Joá para o mar (poluído?) de São Conrado.

3 > A-Punk - Vampire Weekend, sonoridade bem legal pra Praia do Pepino.

4 > Winter - The Dodos, para subir a Niemeyer admirando a paisagem.

5 > Para chegar no Leblon com estilo:

6 > Qualquer mashup do João Brasil, porque Ipanema é lugar de gente descolada e mashup de funk com lambada e indierock é algo imprenscidível (além dos Wayfarers - mesmo que comprados na Uruguaiana).

7 > Copacabana - Móveis Coloniais de Acaju, para ouvir depois que passar do posto 6.

TOP 3: Atropelamentos

A nossa primeira lista traz três cenas que se parecem e provam que quando algum roteirista de cinema ou de TV quer causar impacto com um elemento surpresa, o ônibus já virou clichê, que quando bem encaixado ainda rende ótimos momentos:

#3: A terceira colocação vai para a última cena da polêmica série britânica "Skins", um dos únicos produtos do gênero a fazer sucesso mundialmente sem ser produzido nos Estados Unidos. No final de sua temporada que foi ao ar no Reino Unido em 2006, no famoso Channel 4, o protagonista Tony é vítima de um atropelamento quando se declara para a sua ex-namorada. A cena segue com uma versão ótima de "Wild Word", de Cat Stevens entoada pelo elenco, e pelo corpo de Tony, atropelado nos braços de sua amada, um final que escancara as diferenças entre "Skins" e as séries adolescentes americanas, que não possuem nem um quinto da ousadia da série inglesa. Veja aqui.

#2: Em segundo lugar o clipe da dupla Matt and Kim, que surgiu no Brooklyn em 2006, e lançaram seu segundo CD em 2009. A originalidade da banda, junto com a energia com a qual eles executam suas músicas simples e diretas se reflete nesse vídeo, do single "Lessons Learned". Veja até o final e surpreenda-se:




#1: Em primeiro lugar na nossa lista, a cena final do filme "Meninas Malvadas", de 2004.A história de High School escrita pela ótima Tina Fey (que hoje em dia escreve a aclamada 30 Rock), consegue fugir dos lugares comuns e questiona os estereótipos que esse tipo de filme imprime nos jovens americanos. É também bom ver Lindsay Lohan em sua fase pré-sou-uma-louca-desvairada, ainda queridinha da América.



8.12.09

famosos #01


O Noitebus Andante do terceiro livro/filme da série Harry Potter é um charme. Além dessa coisa de se espremer nos lugares onde não cabe e andar rápido demais, tem uma cor linda de morrer. Faz juz ao nome original: Knightbus.



foto: IMDb